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Fitopatologia

Podridão-parda da haste da soja: como reconhecer Cadophora gregata

A podridão-parda da haste, causada por Cadophora gregata, é uma doença vascular da soja que exige corte da haste para diagnóstico. Entenda os sintomas e as diferenças em relação a SDS e cancro.

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Equipe Técnica Agro Neo Plants
Autoria técnica
24 de junho de 2026 Atualizado em 14 de julho de 2026 12 min de leitura
Revisão técnica: Alessandro Pedrozo Engenheiro Agrônomo · Diretor Agronômico da Agro Neo Plants
Haste de soja em imagem de referência para discussão sobre podridão-parda da haste causada por Cadophora gregata.
Resposta direta

A podridão-parda da haste é causada por Cadophora gregata. Um dos sinais mais importantes é o escurecimento interno da medula e de tecidos vasculares, especialmente próximo aos nós, enquanto o exterior da haste pode parecer normal. Os sintomas foliares podem lembrar outras doenças.

A podridão-parda da haste da soja — em inglês, brown stem rot (BSR) — é uma doença vascular importante causada pelo fungo Cadophora gregata. Diferente de doenças foliares clássicas, ela deixa muitas pistas no interior da planta, especialmente na medula da haste. Reconhecê-la exige mais do que olhar as folhas: exige cortar a haste [1][2].

O que é Cadophora gregata

Cadophora gregata é um fungo do solo que infecta as raízes de soja no início do ciclo e coloniza tecidos vasculares e da medula ao longo do desenvolvimento. Historicamente, o patógeno já foi denominado Phialophora gregata; a taxonomia mais recente o classifica como Cadophora gregata. O nome correto da doença que ele causa é 'podridão-parda da haste' — não 'fitotoxicidade', não 'queima', não 'ferro tóxico' [1].

Sobrevivência em resíduos de soja

O patógeno sobrevive em restos culturais de soja e no solo. Isso significa que áreas com histórico da doença e monocultura contínua tendem a manter o inóculo. Rotação com culturas não hospedeiras é um dos elementos importantes de manejo [1].

Infecção pelas raízes

A infecção começa pelas raízes, em geral cedo no ciclo. O fungo caminha pelos vasos, colonizando xilema e medula. Os sintomas foliares e internos, no entanto, costumam se manifestar depois — mais evidentes em estágios reprodutivos, especialmente entre R3 e R6. Esse deslocamento entre infecção e sintoma torna a doença traiçoeira para o produtor que observa apenas o quadro atual das folhas [1][2].

Quando os sintomas aparecem

Muitas vezes a lavoura vai bem no vegetativo e apresenta o quadro mais forte no reprodutivo, quando a demanda por água e assimilados aumenta e a limitação vascular fica evidente. Condições de estresse hídrico e nutricional podem agravar a expressão.

Sintomas foliares

  • clorose internerval, com nervuras verdes contrastando com o tecido amarelo;
  • necrose internerval, avançando a partir das margens da clorose;
  • enrolamento das folhas em alguns casos;
  • murcha em plantas mais afetadas, especialmente em períodos de estresse hídrico.

Esses sinais foliares podem lembrar SDS e outras doenças. Por isso, o diagnóstico não deve parar na folha [3].

Sintomas internos

O sinal mais característico da BSR é interno: ao cortar longitudinalmente a haste, observa-se escurecimento marrom da medula, especialmente próximo aos nós. O exterior da haste pode parecer normal, o que faz muitos produtores subestimarem a gravidade do quadro. É essa combinação — folhas com clorose internerval + medula escurecida — que aponta com maior consistência para Cadophora gregata [1][2].

Por que cortar a haste

Cortar a haste longitudinalmente com um canivete afiado é o gesto de campo mais valioso para investigar BSR. Sem esse corte, a doença é frequentemente confundida com outras causas de clorose. O corte deve ser feito em várias plantas e em vários pontos da área, incluindo plantas de reboleiras e plantas aparentemente sadias na mesma linha, para comparação [2].

Diferença para SDS

A síndrome da morte súbita da soja (SDS), causada por Fusarium virguliforme, também produz clorose internerval, mas o padrão interno da haste tende a ser diferente: a medula geralmente permanece esbranquiçada, enquanto o córtex apresenta escurecimento. Já na BSR, a medula é marcadamente escurecida. Materiais internacionais reforçam esse ponto como um dos principais critérios de diferenciação no campo [1][3].

Diferença para cancro da haste

O cancro da haste é uma doença externa: aparecem lesões deprimidas e escurecidas na parte externa da haste, muitas vezes com aspecto de cancro clássico. Já a BSR é uma doença essencialmente interna: o problema está dentro do tecido, e o exterior pode enganar. Confundir uma com a outra leva a decisões erradas de manejo [2].

Diferença para fitotoxicidade

Sintomas foliares em áreas contíguas ou em faixas de pulverização, com relação temporal clara com aplicações recentes, apontam mais para fitotoxicidade. BSR, por sua vez, mostra reboleiras, padrão de progressão ao longo do ciclo e a assinatura interna na haste. Chamar BSR de fitotoxicidade é erro comum e prejudicial.

Papel de temperatura e umidade

Publicações técnicas descrevem a BSR como favorecida por temperaturas mais amenas em determinadas fases do ciclo, mas o comportamento varia entre regiões. Estresse hídrico após período de solo úmido também é frequentemente citado como agravador dos sintomas [1].

Rotação

Rotação com culturas não hospedeiras — como milho, sorgo, algodão em determinadas regiões, cereais de inverno — reduz progressivamente o inóculo do patógeno no solo, embora sem eliminá-lo. Áreas com histórico repetido demandam intervalos maiores de rotação para observar diferença.

Cultivares resistentes

A resistência de cultivares é um dos componentes centrais de manejo. Já existem materiais com maior tolerância à BSR. A escolha deve considerar não apenas BSR, mas também nematoides, SDS, outras doenças e desempenho agronômico geral.

Relação com nematoide de cisto

A literatura aponta interação frequente entre nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) e Cadophora gregata: onde há alta densidade do nematoide, a expressão da BSR tende a ser mais grave. Isso reforça a necessidade de análise nematológica em áreas problemáticas [1].

Limpeza de máquinas

Restos culturais aderidos a plantadeiras, colhedoras e implementos são via de disseminação. A limpeza cuidadosa entre talhões e áreas ajuda a reduzir o transporte de inóculo, especialmente para áreas sem histórico da doença.

Confirmação laboratorial

Embora o corte da haste seja fortemente sugestivo, apenas o diagnóstico laboratorial fecha o quadro com segurança. Envio de hastes com sintomas típicos, junto de material foliar e informações completas de histórico, permite ao laboratório confirmar Cadophora gregata e descartar outras hipóteses [2].

Nota de campo Agro Neo Plants — DRAFT_REVIEW_REQUIRED

Existe uma observação de campo em Nova Xavantina (safra 2024/2025) sob revisão editorial. Publicação depende de autorização formal para uso de fotografias e laudo, identificação da área, redação final e registro de eventuais patógenos concomitantes. Não incluir percentuais de perda sem fonte científica específica.

Onde entra Neo Protect

Neo Protect é um adjuvante utilizado em aplicações de calda. Ele não é fungicida e, isoladamente, não controla Cadophora gregata. Em programas de aplicação com fungicidas registrados, adjuvantes contribuem para pontos operacionais da tecnologia de aplicação — mas o controle depende do produto principal, do momento da aplicação, do manejo integrado e da decisão do agrônomo responsável.

Atenção

Adjuvante não substitui fungicida registrado, cultivar resistente, rotação ou diagnóstico. Produtos fitossanitários devem ser registrados para cultura e alvo.

Conclusão

A podridão-parda da haste da soja é uma doença silenciosa: começa cedo, avança escondida e mostra sua assinatura mais forte no interior da haste. Reconhecê-la depende de sair da folha, pegar o canivete, cortar a haste e comparar com outros quadros que causam clorose internerval, como SDS e cancro. O manejo consistente combina cultivar tolerante, rotação, atenção à qualidade da semente e ao nematoide de cisto, e diagnóstico laboratorial em áreas problemáticas — sempre sob condução do agrônomo responsável.

Perguntas frequentes

Toda haste marrom é BSR?+

Não. Escurecimentos na haste podem ocorrer por diferentes causas — cancro, apodrecimentos secundários, estresses. O padrão típico da BSR inclui escurecimento interno da medula, especialmente nos nós, com exterior relativamente preservado [1][2].

Cadophora gregata vive em restos culturais?+

Sim. O patógeno sobrevive em resíduos de soja e infecta o sistema radicular no início do ciclo, mas os sintomas costumam se manifestar de forma mais evidente em estágios reprodutivos [1].

Como diferenciar BSR de SDS?+

Ambas podem apresentar clorose internerval. A BSR se caracteriza pelo escurecimento interno da haste (medula) próximo aos nós, enquanto SDS geralmente não apresenta esse padrão específico na medula, mas altera o sistema vascular de forma distinta. Confirmação laboratorial ajuda [1][3].

Adjuvante controla Cadophora?+

Não. Adjuvante não é fungicida. Ele pode contribuir para a qualidade de aplicações com fungicidas registrados, mas não substitui cultivar resistente, rotação, manejo de restos culturais nem diagnóstico.

Cultivar resistente resolve?+

Cultivares com maior tolerância ajudam, mas não substituem manejo integrado — rotação de culturas, atenção à qualidade da semente, cuidado com nematoide de cisto e diagnóstico laboratorial em áreas persistentes.

Tópicos abordados
Cadophora gregataPodridão-parda da hasteBSRSojaDoenças de haste
Aviso técnico

Adjuvante não substitui fungicida registrado, cultivar resistente, rotação ou diagnóstico. Produtos fitossanitários devem ser registrados para cultura e alvo.

Referências
  1. [1]Crop Protection Network. Brown stem rot of soybean. https://cropprotectionnetwork.org/encyclopedia/brown-stem-rot-of-soybean
  2. [2]Crop Protection Network. Scouting for soybean stem diseases. https://cropprotectionnetwork.org/publications/scouting-for-soybean-stem-diseases
  3. [3]Crop Protection Network. Diagnosing interveinal chlorosis in soybeans: it's not just SDS. https://cropprotectionnetwork.org/publications/diagnosing-interveinal-chlorosis-in-soybeans-its-not-just-sds
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